Espondilite Anquilosante: sintomas, diagnóstico e tratamento
O que é Espondilite Anquilosante?
A Espondilite Anquilosante (EA) é uma doença inflamatória sistêmica crônica que pertence ao grupo das Espondiloartrites. Acomete principalmente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas (região entre a coluna e a pelve), podendo levar, a longo prazo, à limitação de mobilidade.
A doença é mais comum em homens jovens, com início entre 15 e 40 anos. A apresentação clínica na mulher pode ser menos clássica, ocasionando atraso no diagnóstico.
Qual a sua origem?
A Espondilite Anquilosante é uma doença imunomediada, ou seja, ocorre por uma resposta inadequada do sistema imunológico, que passa a atacar estruturas do próprio organismo, especialmente articulações e ênteses (locais onde tendões e ligamentos se inserem nos ossos).
Existe forte associação genética, principalmente com o gene HLA-B27, embora a presença desse gene isoladamente não seja suficiente para causar a doença. Fatores ambientais e infecciosos provavelmente atuam como gatilhos em pessoas geneticamente predispostas.
Quais são os sintomas?
O principal sintoma é a dor lombar inflamatória, caracterizada por:
• Início insidioso e antes dos 40 anos
• Dor que piora com o repouso e melhora com atividade física
• Rigidez matinal prolongada (geralmente >60 minutos)
Outros sintomas incluem:
• Dor e rigidez na coluna dorsal e cervical
• Dor alternante em nádegas
• Entesites (manifestada principalmente como dor no calcanhar - tendão de Aquiles)
• Artrite periférica, principalmente em membros inferiores
• Manifestações extra-articulares como uveíte anterior, associação com doença inflamatória intestinal, fadiga, e, mais raramente, comprometimento cardíaco, pulmonar ou intestinal.
Como é feito diagnóstico?
O diagnóstico é clínico e radiológico, apoiado por exames laboratoriais. Ele se baseia na combinação de:
• História clínica compatível (dor lombar inflamatória)
• Exame físico, com redução da mobilidade da coluna
• Exames de imagem:
- Ressonância magnética das articulações sacroilíacas (fundamental nas fases iniciais, pois detecta inflamação ativa)
- Radiografia das sacroilíacas (evidencia alterações estruturais mais tardias)
• Exames laboratoriais podem mostrar marcadores inflamatórios elevados (PCR, VHS) e a pesquisa do HLA-B27 pode auxiliar, embora não seja diagnóstica isoladamente.
Qual o tratamento?
O tratamento tem como objetivo controlar a inflamação, aliviar a dor, preservar a mobilidade e prevenir danos estruturais. Ele inclui:
• Medidas não farmacológicas: exercícios físicos regulares, fisioterapia, alongamento e educação do paciente
• Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): são a base do tratamento inicial
• Sulfassalazina e Metotrexato para tratamento do quadro periférico
• Imunobiológicos, como os inibidores de TNF e de IL-17: indicados nos casos com atividade persistente apesar do tratamento convencional.
O acompanhamento regular com Reumatologista é essencial para ajuste terapêutico e avaliação de atividade da doença, evitando assim sequelas definitivas como a anquilose das vértebras (“coluna em bambu”), limitação funcional e dor crônica.